A “IGREJA DOS GREGOS” DE LINS

Templo Greco-Ortodoxo ad usum Greco-Melquitas Católicos

O templo dedicado à Panaghya (Santíssima Virgem de) Tsambika em Lins, conhecido popularmente como “Igreja dos Gregos”, é a representação mais fiel da passagem dos gregos (comunidade expressiva em seus tempos áureos) pela cidade, formando parte importante da história do município.

Primeiro templo da Igreja Ortodoxa Grega (Patriarcado Ecumênico de Constantinopla) construído no Estado de São Paulo é o terceiro templo dedicado à Panaghya Tsambika no mundo (os 2 primeiros estão na ilha de Rodes), o primeiro construído fora da Grécia (o 4º e mais recente foi construído na ilha de Chipre) e o único nas Américas.

Com seus 159 ícones em estilo veneziano, a “Igreja dos Gregos” é a única expoente no Brasil da Grécia insular, mais precisamente do Dodecaneso. Este grupo de ilhas gregas na extremidade oriental do mar Egeu, junto à costa sudoeste da Turquia têm uma rica história e mesmo algumas das ilhas pequenas e desabitadas ostentam várias igrejas bizantinas e castelos medievais. As doze maiores ilhas, que dão ao grupo o seu nome, são Rodes, historicamente a mais importante, Cós, Astipaleia, Calímnos, Cárpatos, Kassos, Kastelorizo, Leros, Nísiros, Patmos, Simi e Tilos.

A construção, realizada sem a participação de quaisquer outros membros da comunidade helênica, por Stéfanos Vassiliadis, imigrante grego proveniente de Arcângelos (ilha de Rodes), foi motivada por um sonho que teve com Panaghya Tsambika.

Sua lavoura de arroz às margens do rio Tietê estava submersa, pois havia chovido muito e a colheita ficaria praticamente toda comprometida. Numa noite, sonhou com a Santíssima Virgem que lhe pedia para prometer que se a lavoura fosse salva, com parte do dinheiro, ele construiria uma igreja em sua honra.

Quando acordou, pensou como poderia ter tido aquele sonho já que não havia a menor possibilidade de salvar aquela plantação. Mas, assim mesmo, prometeu. Depois de dois ou três dias, do lodo podre, começaram a brotar ramos verdes e naquele ano a lavoura teve a máquina colhendo muito arroz. Colheu a primeira safra, muito boa e, depois de terminada, o arroz voltou a brotar, possibilitando duas colheitas.

Por esta razão, e num movimento absoluto de fé, Stéfanos não hesitou em iniciar a construção do templo em 1957 e inaugurá-lo em 7 de setembro de 1958. O templo foi consagrado por Dom Ignatios Ferzli, Metropolita Ortodoxo Grego de Antioquia para o Brasil.

Pela construção do templo com recursos próprios e sua doação para a Igreja Ortodoxa Grega de Antioquia em julho de 1960, Stéfanos foi agraciado em julho de 1961 com o título de Comendador conferido pelo Patriarca Ortodoxo Grego de Antioquia, Teodósio VI, honraria concedida com grande deferência a pessoas muito especiais.

Com as cores típicas gregas, branco com bordas azuis, possuía canteiros que o circundava com mudas de manjericão e rosinhas vermelhas muito perfumadas, o templo foi frequentado pelas comunidades helênica e sírio-libanesa da década de 1960 até o início da década de 1970.

Algum tempo depois, Stéfanos precisou ausentar-se de Lins para lutar em outras terras, e os cuidados do templo passaram à sua esposa, Maria Vassiliadis, que, enquanto viveu em Lins até 1975, responsabilizou-se física e financeiramente pelo mesmo.

O desejo fervoroso de Stéfanos de que esta obra não se perdesse, movido sempre por sua fé inabalável, pois as provas que tivera do poder de Panaghya Tsambika foram muitas, levou-o a procurar de todas as formas impedir que o templo se perdesse no esquecimento, pois encontrava-se fechado desde 1979. Realizou-se uma tentativa de tombamento histórico em 1988, mas esta não foi bem sucedida por falta de apoio da comunidade.

Em 2005, alunos do Instituto Americano de Lins foram premiados em concurso nacional denominado “Tesouros do Brasil”, patrocinado pela Fiat Automóveis com apoio da Unesco, Ministério da Cultura, Ministério da Educação e do Iphan – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. O templo foi selecionado entre os quatro maiores tesouros arquitetônicos do Brasil. A cerimônia de premiação ocorreu na própria igreja, em 10 de junho.

Tombada como Patrimônio Histórico do município em 2007, por suas características arquitetônicas e riqueza iconográfica, foi entregue à Prefeitura Municipal de Lins mediante contrato de comodato firmado em 2012 com a Arquidiocese de São Paulo e Todo o Brasil da Igreja Ortodoxa Grega de Antioquia. Neste mesmo ano o processo de restauração foi iniciado aos cuidados dos iconógrafos Greco-Melquita Católicos: Irmã Makrina e Rev. Hieromonge Nectarios. No final de 2017 foi firmado, entre a Prefeitura de Lins e a Eparquia Nossa Senhora do Paraíso em São Paulo dos Greco-Melquitas, o atual convênio para restauração.