Panaghya Tsambika no Brasil

 

No séc. XI os monges do Mosteiro de Santa Panaghya (Virgem) Kykkos em Chipre possuíam um ícone que de forma misteriosa, se auto transportava para a montanha Zambiki, próxima de Arcângelo em Rhodes.

Tal desaparecimento deixou os monges de Kykkos inquietos, uma vez que para eles o ícone simplesmente havia sido subtraído e imaginavam que tinha sido um roubo.

Começaram a indagar e investigar onde o ícone poderia ter sido comercializado e, de alguma forma, tomaram conhecimento de que em Rhodes havia aparecido um ícone. E lá foram ver se era o deles.

Ademais disso, o que tinha ocorrido em Rhodes, era que, no Monte Zambiki, o ícone havia procurado refúgio em uma árvore de cipreste.

Era primavera e na nascente de Aimahiou, um humilde pastor que morava nas proximidades pastoreava seu rebanho, quando então viu uma estranha luz vinda de Zambiki. No início ele a ignorou, mas depois de três dias vendo aquela luz, decidiu subir a montanha para ver do que se tratava. Com medo de que pudessem ser ladrões, primeiro ele avisou aos homens da aldeia que, portando armas, foram com ele.

Ao chegarem no topo da montanha, viram com espanto que a luz vinha de um ícone da Virgem Maria abrigado em uma árvore de cipreste.

O ícone brilhava como uma lamparina.

Foi por este motivo que o ícone recebeu seu nome, uma vez que a palavra “Tsamba” (de origem turca) no dialeto local de Rhodes significa “faísca” ou “pequena chama”. Os aldeões trouxeram o ícone para o povoado, mas o ícone novamente voltava para o lugar onde que foi encontrado. Após três tentativas, eles concluíram que era da vontade da Panaghia ter uma igreja construída naquele lugar.

Este cipreste existe ainda hoje e pode ser visto pelos fiéis. Em sua raiz, há um buraco que às vezes desprende ar quente ou frio, dependendo do clima.

Mas temos de esclarecer que o ícone ao ser encontrado pelos monges de Chipre, foi recuperado e levado de volta para o seu mosteiro e lugar original, no entanto, o ícone voltou a auto transportar-se mais de uma vez. Finalmente, o deixaram em Rhodes e lá permanece até agora.

A partir desse momento o ícone nunca mais deixou Rhodes. Houve tentativas de levá-lo para outras partes da Grécia, para que pudesse ser venerado pelos fiéis, mas a cada vez de uma forma milagrosa o ícone voltou para Rhodes.

O santo Mosteiro de Panaghya Tsambika comemora sua festa em 8 de setembro, em honra à Natividade da Mãe de Deus, e no terceiro domingo da Grande Quaresma, quando também celebramos a Santa Cruz.

Um dos milagres mais antigos associados à Panaghya Tsambika está intimamente ligado aos edifícios circundantes ao Mosteiro. Estes edifícios pertenciam a um paxá turco, cuja esposa não conseguia engravidar. Sabendo de Panaghya Tsambika, a esposa do paxá orou a ela e, em seu desespero, comeu o pavio da lamparina acesa diante do santo ícone. Pouco tempo depois soube que estava grávida, mas o paxá não acreditou, chegando inclusive a pensar que a criança fosse de outro homem. No parto, entretanto, a criança nasceu trazendo nas mãos o pavio que a mãe havia comido. Como uma oferta de gratidão, o paxá deu toda sua propriedade em redor ao Mosteiro da Panaghya.

Atualmente temos dois lugares de culto.

O mosteiro localizado no topo da Colina Sagrada, onde é venerada a Panaghya de Cima, ou a Senhora (Kyra), e outro mosteiro, que é também um centro de alegria religiosa e é chamado de Panaghya Tsambika de Baixo.

A verdade é que esta presença iconográfica da Virgem Maria, extremamente milagrosa, tem uma especial ligação com aquelas mulheres que querem ter filhos e não conseguem alcançar a maternidade, com as mães e seus filhos em particular e com os imigrantes ou aqueles que estão distantes de sua terra natal. Ela também está relacionada com as viagens.


A maioria dos detalhes da historia de “Panagia Tsambika” foram tiradas de “Insights and analysis on from a Orthodox Christian perspective” of  Sanidopoulos. Adicionado da historia de “Panaghya Tsambika no Brasil” e deduções de R. Valdor